Serviço de maltrato ao cliente da TIM, bom dia. Em que posso ajudá-lo?
POR BRUNO BIMBI
Ao longo do último mês, fiz mais de vinte reclamações ao Serviço de Maltrato ao Cliente (SMC) da TIM, sempre pelo mesmo motivo. E, por incrível que pareça, o problema ainda não
foi resolvido. Aliás, eles ainda nem sabem qual é o problema, nem querem saber,
nem... (desculpem, a ligação caiu).
Várias vezes por dia,
desde que eu passei do plano pré-pago ao pós-pago, eu recebo no celular um
alerta de "novo correio de voz" da caixa postal. O telefone (Samsung
Galaxy II) faz um bipe que é o mesmo que toca quando eu recebo um
torpedo e, quando vou conferir, o que vejo é o ícone da caixa postal (ele fica
na parte superior esquerda da tela e, se você levar para abaixo com o dedo,
aparece um texto que diz: "Novo correio de voz. Discar *100"). Eu
disco *100 e aí escuto a gravação que diz: "Você não tem nenhuma
mensagem...". Ou seja, o alerta é falso, o bipe toca à toa, a ligação ao
*100 não era necessária.
O problema é que,
mesmo depois de eu discar *100 e confirmar que, na verdade, não há nenhuma
mensagem, o ícone continua lá na esquina superior esquerda da tela e, tempo
depois, o celular toca de novo o maldito bipe para me lembrar, para me
insistir, para me reclamar que eu ligue de novo para a caixa postal. Como o som
é o mesmo dos torpedos e eu recebo, pelo meu trabalho, muitos torpedos, cada
vez que toca eu tenho de pegar o telefone para ver se é um torpedo ou o maldito
falso alerta da caixa postal... E ele toca, às vezes, às 2h da manhã, às 3h, às
4... Eu não posso desligar o telefone durante a noite, pelo meu trabalho. Não
posso mesmo. E, infelizmente, eu acordo cada vez que o bipe toca.
Já revisei todas as
opções de configuração do aparelho, uma por uma. Não há como bloquear o bipe
nem desativar a caixa postal desde o aparelho (na configuração da caixa postal,
a única opção é: "Minha operadora").
Quando eu comecei a
ter esse problema, liguei ao SMC. Uma vez, duas, três, quatro. Resumindo, mais
de vinte. Sempre a mesma coisa: se você quiser tomar um sorvete de chocolate,
digite um; se quiser comprar uma viagem pro Caribe, digite dois; se quiser
limpar os óculos, digite três... A opção de reclamações é a número oito! Depois
tem mais um digite um-dois-três-quatro (opção certa). Você tem que confirmar se
a reclamação é sobre o número do qual você está ligando. Uma gravação te avisa
que a ligação está sendo gravada. Outra gravação te convida a participar de uma
pesquisa de satisfação (risos). Outra gravação te diz que o número de protocolo
é 87346237647254835418354 e que bla bla bla... Depois de um teeeeeempoooooo e
uma musiquiiiiiiiiiinhaaaaaaaaaa, finalmente, aparece o primeiro ser humano.
Ele te pergunta o nome e sobrenome, o CPF, etc. E te diz, novamente, que o
número de protocolo é 87346237647254835418354. Também te pergunta, de novo, se
a reclamação é sobre o número do qual você está ligando, e repete o número.
Você confirma. "Pois não, em que posso ajudá-lo?". Você explica
o problema e — só depois de você terminar de contar para ele até o último
detalhe do assunto — ele diz que o setor responsável é outro — outro que, é
claro, não estava em nenhuma das opções listadas quando a máquina te pediu para
digitar um se você queria comprar ingressos para o cinema e dois se você queria
uma massagem tailandesa — e, muito cordialmente — ai, Sérgio Buarque de Holanda!
— ele te explica que precisa te transferir a outro setor.
Musiquiiiiiiiiiiiiiiiiinhaaaaaaaaaa. "Oi, boa noite, meu nome é
Felipe". Nome e sobrenome?, CPF?, a reclamação é para o número do qual
você está ligando?, seu número de protocolo
é 87346237647254835418354. "Em que posso ajudá-lo?".
Aí você explica o problema
de novo e o ser humano número dois te diz, muito cordialmente, que precisa te
transferir a outro setor porque, bom, você já sabe.
Não estou exagerando.
Repito: não estou exagerando. Na verdade, é bem pior, mas se eu contar cada
detalhe, o texto vai ficar chato demais.
Agora pouco, antes de
escrever este texto, fui transferido quatro vezes. Quatro vezes! Cada um
dos quatro seres humanos que me atenderam consecutivamente no Serviço de
Maltrato ao Cliente, depois de dialogar com a máquina que pede para digitar
um-dois-três-quatro, perguntou meu nome e sobrenome, meu CPF, se o telefone é o
que eu estou usando, falou o número do protocolo e me pediu para explicar tudo
de novo. Tudo, com detalhes. E fez, mais ou menos, as mesmas perguntas que cada
um dos seres humanos anteriores. O terceiro nem me avisou que ia me transferir:
ele apenas perguntou: "O senhor poderia aguardar um instante, por
gentileza?", botou a musiquinha e depois de uuuuummmmmmmm
intaaaaaaaaaaaanteeeeeeeeeeee apareceu a voz do quarto ser humano, que disse:
"Boa noite, em que posso ajudá-lo?" (depois de me pedir meu nome e
sobrenome, CPF etc.). Esse último ser humano, desta última ligação, também
disse, no final, que precisava me transferir para outro setor, mas a ligação
caiu. Eu não sei quantos setores tem no Serviço de Maltrato ao Cliente da TIM,
mas estou intrigado. Pelo menos, devem ser cinco, ou talvez eu tenha sido
transferido pelo segundo ser humano para o mesmo setor do primeiro, onde fui
atendido pelo terceiro, que senta na cadeira ao lado e, depois de todos os eteceteras,
decidiu me transferir para o quarto, que talvez fosse do mesmo setor do
segundo. Decidiu? Ou o protocolo é esse mesmo? Sei lá.
Logo depois de a
ligação cair, depois do atendimento do primeiro, o segundo, o terceiro e o
quarto ser humano, eu recebi um SMS que fez o mesmo bipe da caixa postal que
tem um novo correio de voz mas não tem nenhuma mensagem de voz (será que é
isso? que eu tenho um "correio", como aparece na tela, mas nenhuma
"mensagem", como diz a gravação?). O torpedo que fez o mesmo bipe do
correio-mensagem que eu tenho-não tenho dizia que a minha solicitação tinha
sido atendida. Sim, "atendida". E que o número de protocolo era
87346237647254835418354.
Eu tenho uma coleção
de números de protocolo.
Depois de várias
ligações ao Serviço de Maltrato ao Cliente, eu decidi cancelar a caixa postal.
Sem caixa postal, não pode ter alerta de correio de voz na caixa postal, pode?
Liguei novamente para os meus amigos seres humanos transferidores, digitei
oito, quatro, falei com a máquina, com o primeiro atendente, o segundo, o
terceiro, disse meu nome e sobrenome, meu CPF, confirmei que a reclamação era
para o meu celular mesmo, recebi outro número de protocolo e, finalmente, pedi
para cancelar a minha caixa postal. O terceiro atendente me explicou que o
sistema estava indisponível. Caiu. Fudeu. Infelizmente, peço desculpas, a vida
é assim mesmo. E a TIM nem se fala.
"O senhor
poderia repetir a ligação em outro momento?".
Eu repeti a ligação
em outro momento. E em mais outro. A caixa postal foi desativada,
disse o terceiro ser humano da ligação número já não me lembro quanto desde que
o primeiro bipe chegou para nunca mais ir embora. Foi desativada, sim,
confirmou ele. Até que enfim!
Agora não vai ter
mais bipe de novos correios-mensagens que eu tenho-não tenho. Não tem como ter.
Contudo, algumas
horas depois, o celular tocou. "Novo correio de voz. Discar *100".
Como é possível que eu tenha um novo correio de voz se eu não tenho mais caixa
postal para recebê-lo? Só Deus sabe e, como eu sou ateu, foda-se.
Liguei de novo para o
Serviço de Maltrato ao Cliente. "Se você quiser comprar um presente para o
ser humano número vinte, digite um; se você quiser xingar o presidente da TIM,
digite dois (vou poupar a lista de xingamentos, mas tem nove do pacote básico
mais os adendos: asterisco, zero e jogo da velha, que são os mais fortes); se
você quiser jogar o celular no vaso sanitário, digite três, mas lembre-se do
valor que você pagou por ele". Digitei oito, quatro, sem xingamentos — já
vai ter tempo para isso. Nome e sobrenome, CPF. O número de protocolo é
76473658354728652835. "Boa noite, em que posso ajudá-lo?": Expliquei
tudo mais uma vez, frisando o fato de que a caixa postal já tinha sido
desativada.
"Então o senhor
quer desativar a caixa postal?".
"Não, como eu já
disse, ela já foi desativada".
"Foi?".
"Foi.
Foi?".
"Hummm...
aguarde um instante, por favor". Musiquinha.
"Foi, sim.
Então? Em que posso ajudá-lo?".
Expliquei de novo,
pela vez número não me lembro. Fui transferido, claro. Felizmente, foram apenas
duas transferências e a musiquinha foi breve. O terceiro ser humano entendeu o
problema. Ele disse que, de fato, mesmo eu não tendo caixa postal, ainda tinha
um correio de voz. Eu expliquei que eu já tinha discado *100 e confirmado que
"Você não tem nenhuma mensagem nova. Para ouvir, digite um. Nenhuma
mensagem antiga". Ele — aleluia! — compreendeu.
"Então você não
tem nenhuma mensagem, mas o bipe continua tocando".
"Iiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiso!".
"Hummm...
aguarde um instante, por favor". Ele conversa com alguém, explica,
responde às mesmas perguntas que ele fez para mim.
"Obrigado por
ter aguardado".
Ele diz que já deletou o correio de voz que eu não tinha e que o problema está
resolvido. Olho na tela e — aleluia, aleluia, aleluia! — o ícone da esquina
superior esquerda sumiu. Bora, seu filho da puta! Não volte mais!
"Muito
obrigado".
"Boa noite, a
TIM agradece a ligação".
Mas... Pode crer.
Meia hora depois, o celular tocou de novo. "Novo correio de voz. Discar
*100".
Repito: juro: eu não
estou exagerando. Liguei de novo pro SMC. Digite... Protocolo... Ajudá-lo...
CPF... Transferi-lo.
"Então o senhor
quer desativar a caixa postal?".
"Não, ela já foi
desativada". Etc.
Cada ligação ao
Serviço de Maltrato ao Cliente, somando digite, protocolo, ajudá-lo,
transferi-lo etc., demora entre 20 minutos e uma hora. As variações são
mínimas.
Algumas vezes, eu sou
transferido só duas vezes; outras, três. Algumas vezes, o sistema está
indisponível: "...repetir a ligação...". Outras me perguntam a marca
e modelo do aparelho e me dizem que é um problema da configuração — isso
acrescenta uns cinco minutos a mais no atendimento, que é o tempo médio que
leva eu explicar que não existe nenhum problema na configuração do aparelho, o
atendente me pedir para esperar um instante, ele perguntar para alguém e,
finalmente, reconhecer que não é isso. Mas, na próxima ligação, o ser humano
número dois, ou talvez o número três voltará a me dizer que é um problema na
configuração do aparelho e — aguarde um momento, por favor — acabará
reconhecendo que não é.
Algumas vezes eles
deletam o correio de voz que eu tenho-não tenho na minha caixa postal que está
desativada. As bruxas não existem, mas existem. E o correio de voz que eu
tenho-não tenho, depois de ser deletado, volta. Outras vezes, a ligação cai, o
sistema está indisponível, etc. Mas sempre, invariavelmente, depois de desligar
— ou depois de eles desligarem sem dizer que a TIM agradece — eu recebo o mesmo
torpedo que diz que a minha solicitação foi atendida (sim,
"atendida") e que o número de protocolo é 87346237647254835418354, ou
76473658354728652835, ou vai-pra-puta-que-pariu.
E sempre, depois
disso, o telefone toca.
Bipe.
"Novo correio de
voz. Discar *100". "Você não tem nenhuma mensagem nova. Para ouvir,
digite um. Nenhuma mensagem antiga". "Novo correio de voz. Discar
*100". "Você não tem nenhuma mensagem nova. Para ouvir, digite um. Nenhuma
mensagem antiga".
E eu ligo de novo pro
SMC. E...
Eu que agradeço.